O Pai Nosso para frente e para trás

Segundo Lutero, quando oramos o Pai Nosso para a frente, como Jesus ensinou, a ordem das petições é observada e nós pedimos em primeiro lugar que o nome de Deus seja santificado, que venha o seu reino e que seja feita a sua vontade. Nessa ordem a oração se torna teocêntrica e nós oramos, não para que tudo vá bem para conosco, mas para que a honra, a glória e o nome de Deus sejam engrandecidos.

Quando oramos o Pai Nosso para trás começamos com a sétima petição “livra-nos do mal”. Aí a oração se torna egocêntrica. O que importa é que nós nos livremos de todos os males que estamos enfrentando e tenhamos uma vida plena de prosperidade. A oração egocêntrica leva a pessoa a procurar mais a sua honra e sua glória do que a glória de Deus. Deus é visto como alguém que está aí para nos servir nas horas difíceis. Passado esse momento, ele então continua sendo para nós, como disse alguém, uma “hipótese desnecessária”.

Corremos o risco de orar o Pai Nosso para trás e sermos egocêntricos em nossa conversa com Deus porque o pecado nos aprisionou ao egoísmo. Temos, portanto, o desafio de nos exercitar nas orações teocêntricas. A oração que Jesus proferiu no Getsêmani é o exemplo dessa oração. O Mestre estava num momento em que o peso da responsabilidade de salvar a humanidade o sufocava. Ele chegou a dizer: “A tristeza que estou sentindo é tão grande, que é capaz de me matar” (Mt 26.38). Então, encostado no chão, ele orou três vezes: “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice de sofrimento! Porém que não seja feito o que eu quero, mas o que tu queres” (Mt 26.39).

É preciso, algumas vezes, redesenhar quem está no centro de nossas orações. Às vezes nós ocupamos esse centro e oramos para nós mesmos como fez o fariseu (Lc 18.11). Outras vezes os próprios problemas se agigantam e ocupam esse lugar. É preciso que no centro de nossas orações esteja o Pai Celeste. Ele é “poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós, a ele seja a glória, na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações para todo o sempre. Amém!” (Ef 3.20-21).

Edgar Lemke