Desigrejados I

desigrejadosHá diversos artigos rodando na Internet com o título “Os Desigrejados”. Um deles , de  autoria do Rev. Augustus Nicodemus Lopes,  foi trazido pelo colega Otto para estudo no nosso grupo de jovens. O autor comenta que muitos destes “estão apenas decepcionados com a igreja institucional e tentam continuar a ser cristãos sem pertencer ou frequentar nenhuma”. E continua: “Todavia, existem aqueles que, além de não mais frequentarem a igreja, tomaram esta bandeira e passaram a defender abertamente o fracasso total da igreja organizada, a necessidade de um cristianismo sem igreja e a necessidade de sairmos da igreja para podermos encontrar Deus”. O autor afirma que, em linhas gerais, os desigrejados defendem os seguintes pontos para abandonarem as igrejas institucionalizadas:

  1. Cristo não deixou qualquer forma de igreja organizada e institucional.
  2. Já nos primeiros séculos os cristãos se afastaram dos ensinos de Jesus, organizando-se como uma instituição, a Igreja, criando estruturas  que acabaram deixando Deus de fora.
  3. Apesar da Reforma ter se levantado contra esta corrupção, os protestantes e evangélicos acabaram caindo nos mesmíssimos erros, ao criarem denominações organizadas que engessaram a mensagem de Jesus e impediram o livre pensamento teológico.
  4. A igreja verdadeira não tem templos, cultos regulares aos domingos, tesouraria, hierarquia, ofícios, ofertas, dízimos, clero oficial, confissões de fé, rol de membros, propriedades, escolas, seminários.
  5. De acordo com Jesus, onde estiverem dois ou três que creem nele, ali está a igreja, pois Cristo está com eles, conforme prometeu em Mateus 18.
  6. A igreja, como organização humana, tem falhado e caído em muitos erros, pecados e escândalos, e prestado um desserviço ao Evangelho.

O Autor concorda que há fundamento em alguns desses pontos e diz que os desigrejados  estão certos quanto ao fato de que muitos evangélicos confundem a igreja organizada com a igreja de Cristo e têm lutado com unhas e dentes para defender sua denominação e sua igreja, mesmo quando estas não representam genuinamente os valores da Igreja de Cristo.  E faz contrapontos entre os quais destaco os seguintes:

  1. A igreja foi fundada sobre a pessoa de Jesus (cf. 1Pd 2.4-8). O que se desviar desta verdade – a divindade e exclusividade da pessoa de Cristo – não é igreja cristã.
  2. A declaração de Jesus mostra a ligação estreita, orgânica e indissolúvel entre ele e sua igreja. Em outro lugar, ele ilustrou esta relação com a figura da videira e seus galhos (João 15). Esta união foi muito bem compreendida pelos seus discípulos, que a compararam à relação entre a cabeça e o corpo (Ef 1.22-23), a relação marido e mulher (Ef 5.22-33) e entre o edifício e a pedra sobre o qual ele se assenta (1Pd 2.4-8).
  3. Jesus determinou que seus seguidores fizessem discípulos em todo o mundo, e que os batizassem e ensinassem a eles tudo o que ele havia mandado (Mt 28.19-20).
  4. Não demorou também para que os cristãos apostólicos elaborassem as primeiras declarações ou confissões de fé que encontramos (cf. Rm 10.9; 1Jo 4.15; At 8.36-37; Fp 2.5-11; etc.),
  5. Jesus também mandou que seus discípulos se reunissem regularmente para comer o pão e beber o vinho em memória dele (Lc 22.14-20). Os apóstolos seguiram a ordem, e reuniam-se regularmente para celebrar a Ceia (At 2.42; 20.7; 1Co 10.16).

Se levarmos em conta a nossa lista de membros e compararmos com os que participam da vida da igreja, temos muitos desigrejados em nosso meio.  É claro que Deus não está preso a uma congregação ou grupo religioso!  Mas se encarnou na Palavra e Sacramentos para que pudéssemos tê-lo graciosamente nos perdoando e salvando em Cristo.  Sei que foi através de uma congregação cristã que fui batizado, aprendi as verdades  fundamentais da fé cristã, sou alimentado com a Palavra e a Santa Ceia. Isto acontece porque pessoas antes de mim se congregaram, oraram o Pai NOSSO  e foram fiéis à Palavra. Longe dos irmãos na fé minha vida e minhas orações se tornam muito egoístas e o Evangelho não chega às gerações futuras.

Edgar Lemke