Liberdade

Cecília Meireles poetiza o tema dessa devoção com uma criatividade própria dos romancistas: “…Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda…”

Está lançado o desafio para o entendimento desse sonho humano que em Cristo torna-se realidade. “Cristo nos libertou para que nós sejamos realmente livres. Por isso, continuem firmes como pessoas livres e não se tornem escravos novamente” (Gl 5.1).

Que liberdade é essa?  Recorro ao mestre Lutero para esboçar uma resposta. Ele entende que Cristo não nos deu liberdade política, embora a gente tenha que agradecer muito a Deus pela liberdade de culto. Também não é liberdade econômica, mesmo que o dinheiro derrube muitas muralhas ao nosso redor. Nem a liberdade da “carne” para a gente fazer o que bem dá na veneta.

A liberdade dada por Cristo é na consciência. Pela sua morte e ressurreição em nosso lugar, Cristo nos libertou da escravidão da Lei, da morte e do pecado. Não precisamos mais ser punidos pela Lei, nem guiados pelo pecado, nem condenados à morte eterna. Segundo Lutero, “essa é a mais inestimável liberdade, pois ela é maior do que o céu e a terra e todas as criaturas”.

Pela fé em Cristo experimentamos a grandeza dessa liberdade em nossa vida na hora do conflito e da angústia. Mas precisamos de muita sabedoria para exercitá-la nos desafios do dia a dia. Por isso, diz o apóstolo Paulo, “continuem firmes como pessoas livres e não se tornem escravos novamente” (Gl 5.1).

Ao exercitarmos essa liberdade dada por Cristo podemos escorregar para dois extremos. Um (o legalismo) nega a liberdade ao querer complementar a salvação de dada por Cristo com ações meritórias que levam a pessoa a achar que Deus a ama porque tem ficha limpa. Outro (a licenciosidade) perverte a liberdade ao dar corda aos desejos da carne que facilmente levam à escravidão do pecado.

A tendência da atualidade é o escorregão para a licenciosidade, pois muitas barreiras de outros tempos não existem mais.

Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta…

Edgar Lemke

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