Ter costume ou estar acostumado?

Talvez, em se tratando de linguagem, haja apenas uma divisão genérica ou artificial entre estes dois estados e o pastor aqui está “forçando a barra”. Porém, na prática, creio que essa diferença se torna bem concreta. “Ter costume” refere-se à prática de determinado hábito com frequência, enquanto “estar acostumado” significa uma acomodação diante de um determinado hábito, ao ponto de que este deixa de nos impactar de alguma forma.

Por conta disso, precisamos cuidar para que os nossos bons costumes não se tornem um mero acostumar-se. Em caminhadas, por exemplo, quando temos o hábito de fazer isso diariamente, precisamos aumentar as distâncias e a intensidade a cada vez que o corpo se “acostuma” com a intensidade e distância anterior. Caso contrário, o estímulo fica prejudicado e ficamos estagnados num mesmo condicionamento físico.

De certa maneira, isso tudo ganha mais significado quando se trata da nossa vida congregacional. Temos o costume de frequentar a igreja ou estamos acostumados a frequentá-la? Muitas vezes estamos tão habituados em ir ao culto que estar sentado naqueles bancos de madeira é apenas mais uma das rotinas que cumprimos mecanicamente durante a semana.

Por isso, também é interessante mudar a intensidade e a distância de nossa caminhada enquanto cristãos. Se tu estás tão acostumado em ir (ou dar play) no culto de modo que ele não faz mais tanta diferença em tua vida, muda o estímulo. Aumenta a intensidade do estudo da Palavra. Não te contentes apenas com aquela “caminhadinha” diária até a padaria que fica a 500 metros da tua casa, quando o Espírito Santo quer te capacitar a caminhar uma maratona.

Assim, quando estiveres no culto, concentra-te nas palavras de Confissão e Absolvição e nas Palavras da Santa Ceia. Ouve com mais atenção a mensagem e as leituras do dia. Busca compreender o que de fato significa estar na igreja e o que significa aquilo que está sendo falado ali. No fim, irás perceber que tudo é feito e dito para te contar o que Cristo fez por ti, por mim e pelo mundo.

Agora, quando estiveres em casa, faz devoções. Lembra-te do teu batismo diariamente. Ora com frequência. Ouso dizer que, diferente das coisas banais do dia a dia, quanto mais intenso e mais frequente for o teu contato com a mensagem do Evangelho, menos o Espírito Santo deixará com que fiques “acostumado” com ela.

Jordan Gowert Madia