Um convite ao descanso

Sugestão de leitura: Mateus 11.28-30

Há algumas décadas a promessa era de que cada vez trabalharíamos menos e gastaríamos mais tempo com o lazer: família, distração, esportes. A verdade é que hoje as jornadas de trabalho extrapolam os turnos costumeiros, levamos trabalho para casa e, não raro, as nossas preocupações ao travesseiro.

É certo que em algum momento da nossa vida o cansaço dá as caras e custa a livrar-se dele; para alguns o cansaço e a sobrecarga são tamanhos que toda a vida parece difícil de suportar. E os motivos são os mais variados: cansados de estudar, sobrecarregados com as tarefas acumuladas, já nos cansamos de encontros virtuais e queremos logo estar próximos novamente. Estamos exaustos!

Tentando buscar alívio, recorremos a recursos e artifícios também variados. Um chá para aliviar os sintomas, atividades físicas e esportes para impor ao corpo um descanso físico, leitura para espairecer, uma massagem relaxante ou revigorante parece ser tudo o que precisamos. Sabemos que em casos mais extremos, quando nos damos conta que não estamos conseguindo, o desespero bate à porta e parece que nada vai tirar esse peso de nossos ombros.

Naturalmente Deus não deseja que o ser humano tenha qualquer tipo de cansaço, fadiga, sobrecarga. Esses sintomas tão pesados e insuportáveis surgem tão logo o ser humano caiu em pecado (ver Gênesis 3.16-19). Já ouvimos muito que todos nós somos herdeiros da culpa do pecado; além disso, somos herdeiros das terríveis consequências que o pecado trouxe à humanidade; e nessa dimensão pessoal, carregamos um fardo que é insuportável. Tudo por conta de ouvir a maldita voz de satanás.

Agora quem chama é Jesus. Ele diz “venham a mim”, cheguem mais perto. Jesus não quer que tenhamos que carregar o peso do pecado e ele sabe que não somos capazes disso. Ao invés de impor uma nova carga, um jugo como aqueles que amarram um boi ao outro na lavoura, Jesus chama para estarmos unidos com ele. Ele chama para tomar o jugo dele que é suave, que é leve. Jesus chama para aprender com ele em sua mansidão e humildade.

Ouvir e responder ao chamado do Bom Pastor Jesus é perceber que nada mais é preciso fazer para sermos aceitos por Deus e termos nele vida plena, vida eterna. Ouvir e responder ao chamado de Jesus é ter a responsabilidade de levar esse conforto aos cansados e sobrecarregados, nas nossas ações cotidianas, em mansidão e humildade, neste mundo que geme e chora diante de tantas desgraças.

Jesus nos dá aquilo que os nossos esforços procuram em vão: ele nos concede o acesso ao Pai, numa relação íntima e perpétua com o Criador, o Autor da vida. Isso ele nos concede por sua infinita e imensurável misericórdia quando nos recebe pelo Batismo, quando nos convida à sua Santa Ceia e quando ouvimos e meditamos em Sua Palavra. Um convite contínuo e incansável, um convite ao descanso, um convite à certeza que é estar seguro nos braços de Deus.

Fernando Behling
Estagiário