Saúde ou economia?

Quem está certo? Os que defendem o isolamento horizontal que restringe a circulação do maior número possível de pessoas? Ou, os que desejam o isolamento vertical com restrições menos rígidas para não comprometer a economia? A discussão é acalorada no mundo inteiro para combater o coronavírus, mas no Brasil tomou o rumo do radicalismo. Uma briga, no entanto, que precisa ser resolvida pelos governantes com sabedoria e bom senso, pois a vida de todos depende de suas decisões. Tanto que, neste momento crucial, os senhores da caneta não podem errar nem para a esquerda, nem para a direita, porque lá na frente está a vida ou a morte.

Não sou médico nem economista, mas tenho minha opinião. Na função que exerço, no entanto, preciso ser prudente igual a Jesus: “Deem a Cesar o que é de Cesar, e a Deus o que é Deus”. Ou seja, deem à economia o que é da economia, e à saúde o que é da saúde. Jesus respondeu assim porque sabia que em qualquer lado da moeda as pessoas não respondiam com a razão, mas pela paixão. Aliás, se olharmos o contexto histórico da crucificação de Jesus, a confusão social era parecida com aquilo que acontece hoje. Está evidente na Bíblia que foram os nossos pecados que fizeram Jesus sofrer e morrer na cruz, e que, através da fé na ressurreição dele, recebemos perdão e nova vida. No entanto, os instrumentos humanos para condenar Jesus à morte foram uma disputa política, religiosa e econômica.

E quando as falsas notícias se propagam mais que o vírus, não é diferente com a Páscoa. Diz o Evangelho que os soldados receberam dinheiro para espalharem o boato de que os discípulos tinham roubado o corpo de Jesus (Mateus 28.15). Mesmo assim, a Páscoa está aí com sua verdade e poder. Tudo porque a vitória de Jesus sobre a morte sempre foi a respiração para a alma.

E, num mundo tão dividido que corre atrás de respiradores artificiais e de um remédio contra este vírus, cabe lembrar que “se a nossa esperança em Cristo só vale para esta vida, nós somos as pessoas mais infelizes deste mundo” (1 Co 15.19). Seria a pior desgraça se o texto bíblico não seguisse com um poderoso e definitivo “mas”: “Mas a verdade é que Cristo ressuscitou”.

Marcos Schmidt
Pastor em Novo Hamburgo
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