Facção

O que me intrigou no assassinato do jovem de 18 anos a sangue frio dentro do aeroporto Salgado Filho foi a palavra “facção” que li e ouvi repetidas vezes nas reportagens. Dentro desta palavra está o verbo fazer, do latim, “factĭo, factiōnis” – poder de fazer, direito de realizar, conduta.

As imagens das câmeras do aeroporto nos mostraram um grupo de jovens seguindo ao pé da letra o real significado da palavra “facção criminosa”. Eles estavam fazendo, realizando, aquilo que consideram direito seu de fazer: tirar a vida alheia.

O pior de tudo é que o dicionário coloca esta palavra lado a lado com a palavra “partido”. Isso mesmo. Uma das traduções para facção é partido político – Reunião das pessoas que se comportam ou pensam de uma maneira diferente daquelas que fazem parte do seu grupo, partido etc.

Não quero dizer que todo partido político é uma facção criminosa e vice-versa, pois isso seria uma injustiça muito grande. O que posso, no entanto, afirmar é que quando o ser humano se acha no “direito de realizar”, “conduzir” e/ou “poder fazer”, ele pode se achar no direito de fazer muita coisa errada também.

Deus enxergou esse problema no ser humano e viu que o homem jamais faria o que realmente era necessário ser feito para sua salvação. Por isso, Deus se humanou, se tornou carne e, por meio da obra redentora de Cristo, “fez”. Deu outro significado ao termo“factĭo, factiōnis”.  Não pertencemos mais à antiga facção.

Tudo que fazemos brota desse amor. Pois somos raça escolhida, os sacerdotes do Rei, a nação completamente dedicada a Deus, o povo que pertence a ele.

Para fazer o quê?

…para anunciar os atos poderosos de Deus, que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz. (1Pedro 2.9)

Otto Neitzel