Fair Play

fairplayAssisti a dois jogos emocionantes da Copa no estádio Beira Rio: Holanda (3) x Austrália (2) e Alemanha (2) x Argélia (1) na prorrogação. Os ingressos que ganhei de brinde me proporcionaram uma festa muito linda a ponto de mudar de ideia quanto à realização da Copa padrão FIFA no Brasil. A multidão de amarelo, laranja, branco e verde enfeitava o “caminho do gol” desde o centro de Porto Alegre até o estádio e empolgava com seus gritos de estímulo o time do seu país.

Jogos ao vivo não oferecem replay de lances duvidosos, mas dão uma visão geral de toda a movimentação dos atletas e da vibração da torcida.  Chamou-me à atenção a reação da torcida com o tal do fair play – essa filosofia que prima pelo jogo limpo e justo, nascida em 1896 durante as primeiras Olimpíadas da Era Moderna, em Atenas. Quando um atleta sofria um lance mais ríspido e precisava de atendimento, o time adversário jogava a bola para fora a fim de parar o jogo. Quando o atleta se restabelecia, o outro time devolvia a gentileza. O estádio inteiro aplaudia. Mas quando o um atleta servia-se do fair play para matar tempo e levar vantagem a vaia era generalizada.

Que eu saiba não há nada escrito para regulamentar o fair play. A força de sua execução está na aprovação ou reprovação das torcidas. Seria muito interessante se esse fair play se disseminasse nos nossos relacionamentos na família, no trabalho, na igreja, no trânsito. As pessoas seriam mais solidárias e a fiscalização, caso alguém se aproveitasse da situação para obter vantagem, seria bem rigorosa. O apóstolo Paulo costumava dizer que não basta ser honesto; é preciso também parecer honesto. Aos cristãos de Corinto registra: “O que nos preocupa é procedermos honestamente, não só perante o Senhor, como também diante dos homens” (2Co 8.21). Na vida cristã a gente tem que jogar para a torcida também.

Voltando ao fair play, o árbitro precisa decidir se ele está sendo utilizado para a solidariedade ou para vantagem própria, a despeito do clamor da torcida. Lutero, que não entendia nada de futebol, mas era mestre no entendimento do árbitro de nossa vida, dizia que Cristo é apresentado de duas maneiras: como legislador e como mediador. Podemos tê-lo como Legislador (seu ofício excedente) e certamente receberemos cartão vermelho, ou como Mediador (seu ofício próprio) para nos reerguer, curar nossas lesões e nos dar a vitória sobre o pecado, a morte, o diabo. Então, que a paz que esse Mediador dá (Cl 3.15) dirija as nossas decisões nas questões conflituosas da vida e nas tentações de jogar só para a torcida.

Edgar Lemke

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