Estruturas Temporárias

      Futebol é o meu esporte favorito como atleta (97% ex) e torcedor. Em 2007 achei legal a ideia de a Copa do Mundo acontecer no Brasil em 2014 e me entusiasmei que alguns jogos iriam acontecer no estádio Beira Rio. Mas este entusiasmo foi murchando na proporção inversa aos ajustes orçamentários para as construções e reformas dos estádios da Copa a ponto de ficar indiferente se o Beira Rio ficaria pronto ou não. Aí apareceu o orçamento de 30 milhões de Reais em equipamentos, serviços e obras civis para as tais Estruturas Temporárias.

      Estruturas Temporárias! Para algo provisório 30 milhões!  Foi aí que levei um susto! Na atual conjuntura essas estruturas tem que ser feitas senão a Copa não funciona mesmo com o estádio pronto. E que o Inter, a iniciativa privada, os governos municipal e estadual socializem a grana.

      Foi mais longe o meu pensamento e acabei concluindo que, na verdade, gastamos quase todos os nossos recursos em estruturas temporárias. Tudo no mundo é temporário: casa, formação, família, saúde. Algumas estruturas duram mais tempo outras menos, mas todas tem seu prazo de validade, exceto a cidade que haverá de vir.  É o que o escritor aos Hebreus disse: “Porque neste mundo não temos nenhuma cidade que dure para sempre; pelo contrário, procuramos a cidade que virá depois” (Hb 13.14). Mesmo assim, temos que investir da melhor maneira possível nessas estruturas temporárias para que a vida funcione.

      Entretanto, não podemos nos esquecer da “estrutura definitiva”.  O mesmo escritor da carta aos Hebreus afirmou: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre” (Hb 13.8). Ele ingressou no nosso tempo e com seu sangue derramado na cruz abriu as portas da cidade que virá depois.  Quaresma é um tempo oportuno para refletir sobre a Paixão do Salvador e encontrar combustível para esperar por essa cidade que virá depois.

      Enquanto isso, sejamos sábios no uso das estruturas temporárias. O escritor de Hebreus nos incentiva assim: “Não deixem de fazer o bem e de ajudar uns aos outros, pois são esses os sacrifícios que agradam a Deus” (Hb 13.16).

Edgar Lemke

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