Adeus, Ano Velho! Feliz Ano Novo!

Na minha infância era assim: No Natal a gente ia passear na casa da avó paterna e no Ano Novo na casa da avó materna. As duas festas eram boas, mas a primeira marcava mais por causa do Programa de Natal e o desafio de dizer os versos sem engasgar. Até que em 01/01/1960 um amigo saudou o novo ano com a expressão: “Adeus 1959! Prá nunca mais!” Esse “prá nunca mais” provocou uma dorzinha lá no íntimo e, desde então, é o sentimento que me acompanha na virada do ano.

Dizem que todo sofrimento advém de uma perda que tem sua origem lá no Paraíso quando se desfez a comunhão com o Pai Celeste. E como a passagem de ano escancara a perda de um tempo que não retorna mais, sentimentos de nostalgia e tristeza precisam ser vencidos pela esperança. E aí é preciso muito mais do que os exageros dos fogos de artifícios!

É bom olhar para o passado e deixar que o sentimento de gratidão tome o lugar da nostalgia, pois “quando chegou o tempo certo, Deus enviou o seu próprio Filho, que veio como filho de mãe humana … a fim de que nós pudéssemos nos tornar filhos de Deus” (Gl 4.4). E a seus filhos o Pai celeste abençoou, protegeu e confortou ao longo do ano que termina.

Com fé no Salvador que se fez história podemos encarar os velhos problemas que se repetem a cada Ano Novo e enfrentá-los com esperança.  Cristo é a grande dádiva de Deus. Por isso, o Deus oculto, fora do tempo, transcendental, não resolve nossas angústias nem nos encoraja aos desafios do Novo Ano.  Lutero nos direciona ao Deus revelado e diz: “Se queres, portanto, cogitar e tratar da tua salvação, então, abandona as especulações sobre a majestade; abandona todos os pensamentos sobre as obras, a tradição, a filosofia e a lei divina e corre,  depressa, à manjedoura e agarra aquele menino e filhinho da virgem e o olha com admiração, nascendo, mamando, crescendo, vivendo entre os homens, ensinando, morrendo, ressurgindo, elevando-se sobre todos os céus e tendo autoridade sobre todas as coisas. Desse modo, podes dispensar todos os pavores, como o sol dissipa as nuvens e, enfim, evitar todos os erros.  Essa visão te conservará no caminho reto, de modo que, por onde Cristo andar, tu podes segui-lo” (Bíblia com reflexões de Lutero, pg 1131).

Guiado e orientado todos os dias por Aquele que “é o mesmo ontem, hoje e sempre”  (Hb 13.8) meus sentimentos de nostalgia dão lugar à gratidão e à esperança.

Feliz Ano Novo.

Edgar Lemke

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