“Tu és pó e ao pó tornarás”

Quarta-feira de Cinzas: um dia que para muitos significa apenas o final de um dos feriados mais queridos pelo povo em geral, o fim de festanças e da folia. Para estes, pode ser que este dia, então, seja um dos piores e mais chatos dias do ano.

No entanto, para nós, cristãos, este dia é especial. É o dia que reservamos para lembrar de que “somos feitos do pó e que a ele voltaremos”. Não que isso seja uma coisa boa por si só, pois esta frase, extraída de Gênesis 3.19, nos lembra do nosso pecado e da maior consequência dele: a morte.

Naquele contexto, Deus estava justamente distribuindo as “punições” por causa da desobediência do ser humano. No entanto, mesmo que haja punições físicas, sociais e terrenas severas, no âmbito espiritual, o Salvador já havia sido prometido desde Gênesis 3.15.

Portanto, ser cristão não significa ter uma vida fácil ou plena no sentido material e físico. Ser cristão significa saber que isso tudo aqui é temporário, mesmo tendo em mente de que tudo deva ser cuidado com amor e carinho. Como dizemos na liturgia do culto da Quarta-feira de Cinzas: aqui neste mundo somos transitórios, passageiros. Assim como a cinza, que representa apenas uma sombra daquilo que ela fora um dia.

Neste dia, também, temos a marca do início do período da Quaresma, uma época onde queremos especialmente lembrar da nossa incapacidade diante de Deus. Da nossa incapacidade diante daquilo que Deus exige da humanidade.

Portanto, é um período em que devemos nos agarrar ainda mais naquilo que Jesus fez por cada um de nós. Pois mesmo que a Lei ainda tenha o seu valor, nos mostrando o nosso pecado e nos dando um parâmetro para seguirmos, nós só somos salvos pela Graça e Misericórdia de Deus, conquistada por Jesus. Nestes dias de preparação, somos convidados a refletir sobre os nossos pecados, sobre nossas atitudes. Lembramos que só mereceríamos de Deus a morte, se não fosse a cruz de Cristo.

Mas, que não passemos esse período com uma ideia equivocada sobre ele. Nós não devemos pensar que precisamos fazer algum sacrifício pessoal para que Deus nos perdoe (como muito se ensina por aí). A menos que nos faça pecar, não precisamos nos abster da felicidade e nem de bens materiais que nos fazem bem.

O que Deus espera de nós neste período é um verdadeiro coração arrependido. Um coração que sente uma tristeza profunda por pecar (Joel 2.13). Mas, também, um coração que confia em Deus e sabe que nEle há misericórdia e há salvação.

Lembremos que a nossa diferença entre as demais pessoas não está em ser uma “pessoa superior”, mas sim, no fato de que não precisamos temer o dia que em que retornaremos ao pó, pois lá, no fim de tudo, teremos um Deus amoroso de braços abertos nos esperando para uma Vida Eterna com Ele, inclusive com o nosso corpo, restaurado e ressuscitado.

Jordan W. Gowert Madia
Estagiário da CEL da Cruz.