Nos áridos desertos da vida

Você já esteve num deserto? Já viu alguma imagem de um deserto? A palavra sugere “sem nada”, mas tem sol que torra, areia escaldante, dunas em ondas sem fim, espinhos que machucam, vegetação raquítica pedindo água. Há outros desertos. Não é preciso ir longe para vê-los ou senti-los. Visite uma enfermaria de doentes terminais, conheça uma mãe de cinco filhos, desenganada pelos médicos, sinta o efeito de uma carta de demissão meses antes da aposentadoria, entre num orfanato ou casa geriátrica. Ao ler estas linhas você pode estar num deserto, sem solução, “sem nada”, endividado, num tratamento prolongado, com pouca esperança, muito fragilizado.

Acredite, você não é único. Uma família confinada num barco, ouvindo chuva torrencial, num deserto de água, sem saber quando isso terminaria. Um povo vagando pelo deserto durante quarenta anos, dia após dias, de vinte e quatro horas, manhã, tarde e noite. Uma mulher com uma hemorragia durante quarenta anos gasta suas reserva sem sucesso. Cada um tem a sua história. Mas acredite, você não está só. A chuvarada parou, a terra secou, e vida nova. O deserto foi vencido, o povo alcança a terra prometida. A mulher hemorrágica encontra cura. Deus governa.

Mas por que alguns resultados demoram tanto? Porque o tempo de Deus não é igual ao nosso; seus desígnios e planos também. Não posso discutir com Deus os “por quês”, mas posso indagar “para quê”. Ademais, “os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós” (Rm 8.18). Depois do árido deserto da vida um oásis. Até lá sujeitos a perguntas, dúvidas, provável enfraquecimento da fé, nos sentimos desanimados jogados ao caos – no deserto. Você lembra, Jesus também passou por um deserto. Durante quarenta dias foi tentado por Satanás. E como Jesus respondeu ao maligno? Com a força da palavra, pois ela nos dá segurança e garantia de sucesso – “está escrito”. No árido deserto da vida, use o “está escrito”. Aquela família na chuvarada confiou na promessa divina; aquele povo no deserto creu que chegaria à terra prometida; a mulher hemorrágica sentiu a cura no poder do verbo que se fez carne. Use o “está escrito” quando se sentir num “deserto”. Você terá consolo, alívio, sua fé não será apenas um pavio que fumega. Dirá: “O Senhor é a fortaleza da minha vida.” (Sl 27.1).

Autor de livros evangélicos conta a história de uma mula. A mula tropeçou e caiu num poço seco. Os aldeões discutiram o que fazer. Tirar a mula do poço custaria mais que a própria. Decidiram sacrificar a mula, enterrá-la. A cada pazada de terra que recebia nas costas, a mula se sacudia, a terra caia no fundo do poço e com as patas ela socava a terra. A cada pazada o fundo subia mais um pouco e assim, por fim, ela conseguiu sair do poço. Sacuda a areia do deserto de sua vida sempre com o “está escrito”, e confie. Porque…

…Jesus ao morrer na cruz nos absolveu da culpa do pecado e com sua ressurreição garantiu a nossa transferência ao oásis eterno. Lá não tem deserto.

                Guido Ruben Goerl
Pastor Emérito da IELB

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