É tudo muito rápido

04_really-fast_01Vivemos num mundo digitalizado, eletrônico, supersônico. Vivemos com pressa. Na hora do almoço não vamos mais para casa almoçar com a família; come-se qualquer coisa bem perto do trabalho. Se o carro estragasse, ficava na oficina até chegar a peça. Hoje, em poucos minutos o “moto-boy” coloca a peça na oficina. Não esperamos mais por um sorteio; compramos a “raspadinha” para saber na hora se ganhamos ou jogamos dinheiro pela janela. A cada semana uma novidade. As informações “voam”. No passado o número de informações dobrava a cada dois séculos. Hoje o número triplica a cada ano. É tudo muito rápido. Só falta inventar o teletransporte humano como nos filmes do capitão Kirck, Jornada nas Estrelas. Sinceramente, não desejo que isto aconteça, pois, humanos e falhos como somos nalgum teletransporte mandamos o corpo para Tóquio e a cabeça para Londres.

É tudo cada vez mais acelerado. Mas, uma coisa é certa e notória: a humanidade é a mesma. Segundo fonte da OMS existem no mundo hoje oitocentos milhões de pessoas com fome, e duzentos milhões de subnutridas – um sexto da população mundial. Segundo a ONU existem cento e vinte milhões de refugiados (vinte e cinco milhões são crianças) por causa de guerras e perseguições políticas e religiosas. No esporte gritamos “macaco” para um goleiro de cor preta. Na igreja não gostamos de sentar atrás de um hipócrita. Cada vez mais desamor, cada vez mais rapidez em todos os setores da vida.

Em contraste com essa celeridade a Bíblia nos assegura que “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre.” (Hb 13.8) Sua pregação sobre um Reino Eterno não mudou, não se tornou arcaica. (Mt 24.35) Suas promessas são as mesmas ontem , hoje e sempre atuais. Seu sacrifício permanece atualíssimo – mais atual hoje que ontem. Ele nos amou e levou sobre si os nossos pecados (Is 53.4), foi crucificado, morte e sepultado, ressuscitou e voltou ao céu onde nos está preparando um lugar.

Não obstante, poucos creem. O profeta Isaias lamenta: “Quem creu em nossa pregação?” Por que não creram e por que não creem? Por causa do orgulho – julgam-se autossuficientes, pequenos deuses; também por causa, do lucro fácil, do poder a todo o custo, do sucesso efêmero. “Cada um se desviava pelo caminho” (Is 53.6). Mas, tão atual quanto esse lamento é o convite para voltar para o Caminho, dar meia volta, voltar ao que persiste e abraçar novamente os autênticos valores eternos, “Volte, minha alma, ao teu sossego, pois o Senhor tem sido generoso para contigo. Pois livraste da morte a minha alma, das lágrimas meus olhos, da queda os meus pés.” (Sl 116.7,8)

Menos pressa, menos eletrônicos, menos perecíveis, menos desamor. Dê a volta no primeiro retorno, e tome o bom caminho – confie. “Porque eu, o Senhor teu Deus, te tomo pela mão direita e te digo: não temas que eu te ajudo.” (Is 41.13)

Guido Ruben Goerl – Pastor emérito da IELB

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