A transferência

Um senhor piedoso, que recentemente perdera a esposa, foi perguntado quando ela havia morrido, e ele respondeu: “Ela não morreu; ela foi transferida para a glória eterna”. Magnífica resposta de quem crê em Jesus como seu Salvador e confia nas promessas divinas relatas na Escrituras Sagradas. Não fosse assim o poeta sacro não teria escrito estas palavras: “Tu me guias com o teu conselho e depois me recebes na glória.” (Sl 73.24)

A morte do cristão não é um fim, mas sim, uma passagem como por uma porta, pois toda porta tem dois lados, e passar por ela, pela morte, é inevitável e necessário. “O vigor cessa, o vaso de barro quebra e nos deitamos no pó da terra.” (Sl 22.15) Em palavras bem claras “o pó volta à terra, como era, e o espírito volta a Deus , que o deu.” (Ec 12.7) É inevitável pois todos pecaram,  (Rm 8.12) e necessário pois com a nossa morte descansamos das tribulações, paramos de gemer, (Rm 8.23) paramos de pecar e não corremos mais o risco de cair da fé. Deixamos este vale de lágrimas “para descansar das fadigas (Ap 14.13) pois “preciosa é aos olhos do Senhor a morte de seus santos.” (Sl 116.15)

O pó volta à terra porque aquele primeiro pó com o qual Deus formou o primeiro ser humano, se permitiu corromper, aceitando as mentiras do pai das mentiras. Ficaram defeitos, rachaduras, o pote de barro ficou frágil. Era preciso que voltasse ao pó e Deus pudesse formar uma nova criatura. “Porque e necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir da incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir da imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita: “Tragada foi a morte pela vitória.” (1Co 15.53,54)

É o outro lado da porta – a ressurreição e a glória eterna. E não importa de como será a nossa passagem (morte) pela porta. Veja a história dos discípulos de Jesus. Segundo um historiador, Pedro foi crucificado em Roma. Mateus foi martirizado na Etiópia. Tomé foi assassinado na Índia. João se tornou vítima dos romanos e é exilado na ilha de Pátmos. Daquele primeiro grupo de evangelistas todos são executados, mas todos eles tornaram a ver o rosto do Mestre, Jesus, quando entraram na glória eterna. O apóstolo Paulo faz uma declaração muito oportuna e de firmeza de fé: “Tenho por certo que os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós.” (Rm 8.18)

A nossa transferência, enquanto firmes na fé e amparados por Jesus, que prometeu estar conosco todos os dias até o fim dos tempos, será uma transferência segura, tranquila, inimaginável e duradoura. Por que temer!?

“Todas as tuas obras te renderão graças, Senhor, e os teus santos te bendirão. Falarão da gloria do teu reino e confessarão o teu poder, para que aos filhos dos homens, se façam notórios os teus poderosos feitos e a glória da majestade do teu reino.” (Sl 145.10-12)

Guido Ruben Goerl – Pastor emérito da IELB.

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