O Fruto

Lembro-me da empolgação do meu professor da quarta série ao contar a história de Santos-Dumont. Ele falava com tanta empolgação sobre o 14 bis, como Santos-Dumont tinha inventado o primeiro avião, como ele deu uma volta na torre Eiffel em Paris e que no final das contas, tirou sua própria vida quando viu que as pessoas começaram a usar a sua invenção como arma de guerra. Eu era pequeno e me lembro de ter ficado chocado quando o professor disse que o Santos-Dumont se arrependeu de ter inventado o avião porque as pessoas estavam usando a sua invenção para fazer guerra e que, por causa disso, se matou.

Vocês se lembram quando Deus se arrependeu de ter feito os seres humanos?

Quando o Senhor viu que as pessoas eram muito más e que sempre estavam pensando em fazer coisas erradas, ficou muito triste por haver feito os seres humanos. O Senhor ficou tão triste e com o coração tão pesado, que disse:— Vou fazer desaparecer da terra essa gente, que criei, e também todos os animais, os seres que se arrastam pelo chão e as aves, pois estou muito triste porque os criei. Mas o Senhor Deus aprovava o que Noé fazia. Gn 6.5-8

No final das contas, foi Deus quem escolheu Noé e sua família para entrar na arca. Em um dos seus sermões, Jesus fala que ele é a videira verdadeira e diz bem assim: Não foram vocês que me escolheram; pelo contrário, fui eu que os escolhi para que vão e deem fruto e que esse fruto não se perca. João 15.16.

Noé e sua família foram escolhidos a dedo por Deus. Quando saíram da arca deram muito fruto, tiveram filhos, foram as mães e os pais da civilização pós-dilúvio, mas se pegarmos a lista do FRUTO que o Espírito cria em nós, vamos encontrar: o amor, a alegria, a paz, a paciência, a delicadeza, a bondade, a fidelidade, a humildade e o domínio próprio. Gl 5.22.

Assim como não foi Noé quem escolheu a Deus para lhe colocar na arca, nós também não escolhemos Jesus para ser seus ramos. É Cristo quem nos escolhe pelo seu Evangelho, e nos enxerta em si mesmo, na videira verdadeira, por sua morte e ressurreição. Agora nós podemos ir e dar fruto. E que esse fruto não se perca. Amém.

Otto Neitzel