Enchei-vos do Espírito

Do que você está “cheio”? De que sua mente mais se ocupa? Boa vida, prosperidade? Quais os desejos de seu coração? Felicidade? O que mais ocupa o seu dia a dia? Sobrevivência? O que o seu “eu” mais adora? As traças e a ferrugem? É certo que o eu, esse misterioso elemento dentro de nós, que nasceu conosco, deseja nortear nossa vida e deseja nos afastar de Deus. Combater o eu é capacitar-se para dizer não a si mesmo. Aceitar ir onde se tem de ir, mesmo quando não se quer. Ser o que se deve ser, mesmo que este não seja o interesse do eu. Fazer o que se deve fazer, mesmo que não se goste. Afinal, o que Deus quer de nós?

A vontade de Deus é a nossa santificação. Sempre, mesmo que fisicamente cegos, surdos, mancos, sem saúde e sem dinheiro, presos, perseguidos, sem casa, sem renda, sem nada, exceto Ele. Se você não for sal, haverá podridão; se não for luz, haverá escuridão. A Bíblia está cheia de instruções para nós a respeito de como viver uma vida de santidade, uma vida agradável a Deus. Destas instruções, destaco a que encontramos em Efésios 5.18: “Enchei-vos do Espírito Santo.” “Todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.” (Rm 8.14) “Andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.” (Gl 5.16) Deus trabalha em nós através do Espírito Santo pela sua palavra, repito, pela sua palavra que nos faz seguir em frente confiadamente na maturação de nossa santificação.

Para um bom entendimento e aprofundamento do “enchei-vos”, um pouco de gramática. No original grego, enchei-vos está no modo imperativo. Deus ordena que sejamos cheios do Espírito Santo. Não se deixar encher é desobediência e, como consequência, falhamos no modo de um viver que honre a Deus. O tempo do verbo é o presente, uma ação em prosseguimento, não só para uma ou duas tarefas, mas hoje e sempre. O verbo está no plural, “vos”, destina-se a todo o crente, seja pastor, empresário operário, dona de casa, enfermeira ou gari – é dever e privilégio de todo cristão. O verbo está na voz passiva, o que nos ensina que este encher não é obra humana, mas de Deus. Não podemos encher-nos do Espírito por nossos esforços, por mais que desejamos ou tentamos. “Pela graça sois salvos (enchidos), mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie. Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas.” (Ef 2.8-10).

Duas atitudes próprias do cristão: esvaziar-se e encher-se. Esvaziar-se do eu perverso, nascido conosco. Encher-se do Espírito para nascer de novo. Humilhar-se e crer que “não há salvação em nenhum outro; porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos – senão Jesus Cristo.” (At 4.12)

Um pequeno lembrete: O Senhor só ocupa um coração que é seu de fato, não só de direito. Fora do seu coração, Deus é seu Juiz, dentro, seu Salvador.

                Guido Ruben Goerl – Pastor emérito da IELB