A Nova Criação

O Evangelista João conta a História do Natal de um ângulo bem diferente dos outros evangelistas. Comentaristas dizem que não é por acaso que ele inicia seu Evangelho com a mesma frase de Gênesis 1.1: “No princípio”. Lá começa a história da primeira criação, no evangelho de João inicia a história da nova Criação.

A primeira criação ficou estragada quando os homens, distanciando-se de Deus, escolheram entrar no domínio da morte. As consequências vieram e atingiram toda a criação. A terra se tornou maldita por causa do homem (Gn 3.17), nossos corações que se perderam no egoísmo e na incredulidade (Rm 3.12) e continuamos a destruição da primeira criação perdidos na idolatria de nós mesmos, como dizia Tertuliano. 

A segunda criação começou com a promessa de um descendente de mulher (Gn 3.15) que se cumpre quando o Filho de Deus se tornou um de nós e veio ao mundo. “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14). A virgem concebeu um filho que, na verdade, é o Criador da própria virgem (Jo 1.3). Deus fez o que não se podia fazer. No útero de Maria Deus fez para o bebê um corpo como o de Adão e nossa carne e ossos foram postos sobre ele.  “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14).

Na caminhada da vida em meio às coisas velhas e estragadas da primeira criação, a história do Natal é luz que mostra a segunda criação. Pode acontecer que nossa vida se desorganize totalmente por questão de saúde, desemprego, desestruturação da família. Aí o Verbo que se fez carne, nos ilumina e organiza a nossa vida e revigora a nossa esperança. É bem oportuna aquela oração infantil: “Força Jesus! Não se preocupe se o mundo não é tão lindo visto lá e cima. Com o teu amor se pode sonhar e ter um pequeno paraíso aqui na terra”.

Edgar Lemke