Quando a honestidade compensa

23 de junho de 2017 by edgar-lemke

                Pelo que se sabe de muitos políticos em Brasília, o que compensa é a desonestidade. Bilhões de reais são desviados dos cofres públicos e o fórum privilegiado os livra da cadeia e da devolução do que foi desviado. Pode ser que a Operação Lava-Jato mude esta rotina e ponha na cadeia todos os políticos envolvidos na corrupção, junto com os empresários desonestos, levando-os a devolver o dinheiro que foi desviado.

                Viralizou nas redes sociais e chegou ao programa Encontro de Fátima Bernardes, da TV Globo, o gesto do vendedor senegalês  Kadhim Gueye, 22 anos, que devolveu uma nota de R$ 100,00, recebida por engano no centro de Porto Alegre. Roberto Schotkis, 51 anos, comprou um par de cadarços da banquinha do imigrante, na Rua Doutor Flores, e pagou com o que achava serem três notas de R$ 2,00.  Já indo embora, o homem recebeu um cutucão no ombro do vendedor Kadhim querendo devolver o dinheiro dado a mais.  Como o gesto se espalhou nas redes sociais, sua honestidade rendeu-lhe um novo emprego, com carteira assinada, em um dos postos de combustível de Angelo Galtieri (ZH,22/06/2017).

            O senegalês Khadim explicou a razão de ter tomado essa atitude que virou notícia nacional: “Meus pais me educaram bem, me ensinaram a não roubar, não mentir e nem agredir ninguém. Estou muito orgulhoso de conseguir um emprego para ajudar a sustenta-los, já que eles são pobres”. Está aí um caso em que a honestidade, aprendida em casa com os pais, compensa. Na verdade, a honestidade sempre compensa sempre, principalmente quando não vira notícia na mídia. A honestidade permite a pessoa andar de consciência tranquila e,  sendo regra (não a exceção), torna a sociedade mais confiável e o País encaminha os recursos para melhorar a educação, a saúde e a segurança.

         Se a nossa liderança política e tantos outros setores de nossa sociedade se envolvem em corrupção, é porque em algum estágio da vida as lições que o senegalês aprendeu dos pais não foram assimiladas. A melhor escola sobre honestidade está em casa no ensino e na atitude dos pais na tarefa de criar seus filhos “na disciplina e admoestação do Senhor” (Ef 6.4). A escola e a igreja devem ajudar nesta tarefa. Quem recebeu esta dádiva em casa é parceiro de Khadim, pois sabe ser verdadeiro o que o livro de Provérbios registra: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, anda quando for velho, não se desviará dele” (Pv 22.6).

Edgar Lemke

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