Festa das Cores

4 de outubro de 2019 by otto-neitzel

Os nossos jovens estão organizando uma festa para esse final de semana e eu fiquei encarregado de fazer um devocional. O tema da festa é “Festa das Cores”. Fiquei pensado sobre o que falar sobre esse tema, uma vez que os homens só sabem o nome de sete cores enquanto as mulheres nomeiam 274 tipos diferente de cores além de saber explicar a diferença entre as cores rosa, pink e salmão.

Martinho Lutero, como um bom artista de palavras que era, só precisou de cinco cores para apresentar o seu compendium theoligae, ou seja, o sumário da teologia. Ele usou o preto, vermelho, branco, azul e dourado para fazer a sua rosa, a Rosa de Lutero, o símbolo mais conhecido do Luteranismo.

Narra a História que, em 1530, o príncipe João Frederico queria dar a Lutero um presente na forma de um anel de sinete, como expressão do seu apreço. O presente foi dado pessoalmente a Lutero, pelo príncipe João, em 14 de setembro, Dia da Santa Cruz, quando o príncipe parou no Castelo de Coburgo, no seu retorno da Dieta de Augsburgo.

Lazarus Spengler, de Nürnberg, que ajudou a preparar o anel, pediu a Lutero uma explicação sobre o selo. Lutero forneceu não só uma explicação, como também uma indicação das cores que ele deveria conter. O anel era um agradecimento de João Frederico a Lutero, por ter dedicado sua tradução do livro de Daniel ao príncipe.

Abaixo está a carta de Lutero datada de 8 de julho de 1530, explicando o seu selo:

…Primeiro, deve haver uma cruz preta dentro de um coração – o qual retém a sua cor natural – para que eu seja lembrado que a fé no Crucificado nos salva. Pois quem crê de coração será justificado (Romanos 10.10). Embora seja uma cruz preta, que mortifica e que também deve causar dor, ela deixa o coração em sua cor natural. Ela não corrompe a natureza, isto, ela não mata, mas mantém vivo. “O justo viverá por fé” (Romanos 1.17), mas pela fé no Crucificado. Tal coração deve estar no meio de uma rosa branca, para mostrar que a fé dá alegria, conforto e paz. Em outras palavras, ela coloca o crente em uma rosa branca, de alegria, pois esta fé não dá paz e alegria como o mundo dá (João 14.27). É por isso que a rosa deve ser branca, e não vermelha, pois o branco é a cor dos espíritos e dos anjos (conforme Mateus 28.3; João 20.12). Tal rosa deve estar numa área de azul celeste, simbolizando que tal alegria em espírito e fé é o começo da futura alegria celestial, que já começa, mas é obtida em esperança, pois ainda não é revelada. Ao redor dessa área está um círculo dourado, simbolizando que tal bênção no céu dura para sempre; é sem fim. Tal bênção vai além de toda a alegria e bens, assim como o ouro é o melhor metal, o mais valioso e precioso. ” Edição Weimar das Obras de Lutero (Briefe Vol. 5:444f)

Se Lutero conseguiu ser tão criativo para explicar o poder de Deus, sua misericórdia, nossa salvação por graça e a esperança que temos para aqui e para o futuro usando apenas cinco cores, imagina se ele pudesse enxergar 274 cores?!

Otto Neitzel

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